quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

[ Destruição da Mansão Wildberger ]

Recebi como um choque a notícia de que a Mansão Wildberguer havia sido demolida para construção de um espigão de luxo. Para mim, que vivi minha infância e parte da minha pré-adolescência naquela mansão, é como se fosse quebrada uma parte de mim. Meu pai, trabalhou naquela naquela casa como motorista durante 30 anos de sua vida, desde que chegou jovem de Itabuna, primeiro como motorista do Sr. Arnold Wildberger e depois de sua filha, Verena Wildberguer e seu ex-marido Luiz Américo.

Todo sábado, meu pai me levava para o trabalho, e passava horas brincando nos jardins imensos daquela mansão, fingindo estar num lugar misterioso, perdido, inóquo. Me lembro de todas as pessoas queridas que trabalhavam naquela casa: as cozinheiras Ana e Antonia, o outro motorista Jorge, o jardineiro "seu" Oliveira, além do mordomo que esqueci o nome, caramba, como o tempo passou rápido.

As intimidade e confiança deles por meu pai era tanta, que fui batizado, na igreja católica, quando criança, tendo a Verena como minha madrinha. Na minha infãncia ela cumpriu seu papel, ao financiar meu curso de inglês e informática. Volto no tempo e lembro de todas as coisas que passei naquela casa, que possuía objetos raríssimos e antiquíssimos. Ao ver as fotos da demolição no jornal A Tarde, foi como uma facada no peito, lembranças que agora ficarão de verdade no passado.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

[ Pânico ]


Minha vizinha, me encontra hoje de manhã e diz:

- Bom Dia André... menino, ontem à noite só ouvia suas gargalhadas ecoando no prédio!

Pois é, o "Pânico na TV" ainda salva meus domingos.

Hoje eles voltam das férias no programa da rádio, é hora das pessoas no Restaurante do Sesc acharem que sou doido por ficar rindo sozinho.

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O Brasil tem 27 estados e um Distrito Federal, mais de 170 milhões de habitantes e as televisões acham que só existe futebol em Minas, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro. Lamentável!

Enquanto isso... no Baianão: Vitória 5 x 0 Catuense. Eu até conheço um monte de irmãos em Catú, mas desculpem, Vitória é Vitória.

Já no Candangão, Gama 3 x 2 Paranoá. Eu só conheço um irmão do Paranoá. Desculpa aí, Gamão é Gamão.

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Por falar em futebol; o Brasil é engraçado. É estranho que o país do futebol fique estático justamente quando Hollywood faz uma grande produção tendo a pelota como tema principal. O primeiro filme "Gol" (Goal, 2005) lançado pela Disney, fez o maior sucesso nos cinemas em todo o mundo, mas passou despercebido no Brasil indo parar direto nas locadoras. A Disney lançou no final do ano passado a sequencia "Gol 2 - Em busca de um sonho" e já se fala no terceiro filme que finalizaria a trilogia de Santiago Munez, mas no Brasil nem poeira de quando - e se será - lançado nos cinemas. Provavelmente passará despercebido mais uma vez indo parar direto nas locadoras.

No primeiro filme vimos a história de Santiago Munez, um mexicano que vive no bairro suburbano de Los Angeles, que vê sua sorte mudar, quando um olheiro descobre seu futebol e o leva para Inglaterra para se tornar um grande jogador do NewCastle.

Nesta sequencia, Santiago Munez vai para Espanha, jogar no Real Madrid, ao lado dos ídolos como David Beckhan e Ronaldo. Vi o traller num site americano e fiquei com água na boca. Vamos ver se os nossos donos de cinemas faz uma pressão para que o filme possa ser visto nas telonas.

sábado, 27 de janeiro de 2007

[ Figura Paterna ]

Ontem fui cortar o cabelo. Detesto cortar cabelo, mas nem sempre foi assim. Toda vez que vou rapá a cabeleira eu me lembro de meu pai. É uma das lembranças de infância que está guardado na memória. Meus pais moravam na Bairro Reis, em Salvador, e eu devia ter uns 7 a 8 anos. Toda vez que meu pai ia cortar o cabelo me levava, e naquela época, além do bar, era comum todos os homens baixarem na porta de uma barbearia para ficar jogando conversa fora e assim era uma diversão para mim, porque me sentia homem no meio de uma conversa de homens.

Tinha duas coisas que ficaram bem gravadas na minha mente: a possibilidade de cortarem minha orelha e o time do Vitória. Toda vez que ia cortar o cabelo, na hora de aparar as costeletas, meu pai dizia fica quieto, para não arrancar as orelhas. Eu ficava quietinho, porque a possibilidade de arrancar meus abanos era horrível. Até hoje quando o barbeiro está aparando as costeletas, é como se estivesse lembrando meu pai me alertando.

Com o Vitória era outra situação engraçada, pois eu não entendia bulhufas de futebol e nem sobre times de futebol. A única coisa que eu entendia é que as pessoas ficavam me ridicularizando quando meu pai me vestia com a camisa do Vitória e me ensinava a dizer frases prontas contra um time chamado Bahia. Como eu era criança, acho que as pessoas gostavam, porque quanto mais eu falava mal do Bahia, mais alguns riam. Assim, toda vez que vou na barbearia, me lembro de futebol, disputas de times, etc..

Mas talvez, de todas, a maior imagem que possuo de meu pai é quando vou fazer um discurso. Quando eu e minha familia começou a estudar, eu tinha 13 anos e meu pai se tornou um opositor inicialmente, porque ele não queria que seu filho se tornasse um veadinho. (eu não sei de onde meu pai tirou isso!!). Com o tempo, à medida que meus colegas se metiam em confusões, meninas engravidando, e eu e minhas irmãs sendo diferentes, ele foi percebendo que estudar a bíblia era bom. Segundo um colega de meu pai, ele mudou depois que ao fazer críticas, uma pessoa disse que "a familia dele era um exemplo" e que ao contrário de outros, "eu era um bom menino".

Meu pai se acalmou e deixou as coisas rolarem até descobrir que tinha câncer no fígado. Na verdade ele escondeu da gente até se agravar e ser levado ao hospital. Na semana que eu iria fazer meu segundo discurso nº 2, meu pai ficou entusiasmado. Minha mãe já tinha falado para ele do meu primeiro discurso e ele ficou empolgado com o fato do filho dele ser inteligente o bastante para fazer um discurso numa "igreja". Meu pai só sabia ler e escrever. Segundo minha mãe, quando ele soube que eu ia fazer um discurso para um monte de gente assistir, ele ficou orgulhoso e disse que queria assistir. Lamentavelmente, no dia do meu discurso meu pai piorou e foi internado na UTI. Três dias depois ele viria morrer.

Eu queria muito que meu pai tivesse visto um discurso meu. Toda vez que subo numa tribuna, tendo imaginar meu pai me assistindo lá de baixo. Bem, infelizmente, meu pai não se tornou Testemunha de Jeová, mas se assim Jeová desejar, acredito que ele terá muitas oportunidades de assistir discursos meus no novo mundo. Mas aí, vai depender de mim.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

[ Não, não está entregue às moscas! ]

Desculpe gente, por não postar com muita frequencia. Mas acreditem, isso aqui não está entregue às moscas. O problema é que dezembro foi muito puxado e não tive tempo para postar diariamente como gostaria. Saí de pioneiro auxiliar, um ancião e dois servos ministeriais viajaram de férias, angariei mais um estudo bíblico, estava tirando minha carteira de motorista (finalmente! huhuhu), sem falar no trabalho que dobrou devido a uma nova demanda da Caixa, além de algumas atribuições a mais que acabei assumindo também.

Mas enfim, tentarei não sumir por muito tempo. Bem, para começar a grande notícia é que finalmente tirei minha carteira de motorista. (Ué, você não tinha carteira?!!) Pois é, não tinha, os preços altíssimos, sem falar nas regrinhas chatas de exigência do Detran, me impediram de tirar a mais tempo, mas agora sou um motorista autorizado. Quem vai me emprestar um carro?

Em dezembro saí como pioneiro auxiliar, mas lamentavelmente não consegui completar as 50 horas exigidas; mas cheguei perto. O mais importante foi ter trabalhado mais para Jeová e até conseguir angariar mais um Estudo Bíblico. Afinal, fazer o estudo do "Seu Luiz" que não toma uma atitude que alimenta, já estava me deixando meio nervoso. A nova congregação vai bem, engatinhando aos poucos, e sendo abençoada por Jeová. Em pouco mais de dois meses formada já temos mais 3 novos publicadores. Recebi um convite para cuidar de uma congregação no interior do Goiás, mas por enquanto, prefiro continuar na minha Nascente que ainda precisa muito de apoio para continuar crescendo.

No trabalho é que as coisas andam turbulentas. Neste ano a Caixa adotou uma nova gestão que alterou os sistemas o qual dou suporte. Resultado: mais trabalho. Além disso, fui convidado a dar ajuda ao pessoal do Desenvolvimento Humano, em como ajudá-los a ministrar treinamento visando a capacitação de operadores de help desk. Isso, aliado a atividade comum, tem tirado um pouco do meu tempo. Mas graças a Jah, tenho conseguido conciliar as duas coisas, sem prejudicar o lado espiritual.

Moisés voltou de Salvador, dizendo que lá as coisas tão pegando. Os irmão estão muito rígidos, exigindo demais, não pode ouvir pagode (bem, nesse caso, até eu apoio), não pode ter orkut,essas coisas, que fiquei ate assustado. Será que vou para lá em abril, nas minhas férias? Bem, eu acho que todo preocupação é válida, mas ainda prefiro o ritmo de Brasília, onde os irmãos são orientados a servir a Jeová de coração, sem ninguém pressionando exageradamente. Mas mesmo assim, em abril, Salvador me aguarde.

Muitos que me vêem no MSN me pergunta se estou namorando. Não, não estou. O por que? Fiquei velho, chato e exigente. Resumo nas palavras de um colega de trabalho, que apesar de mundano, também está solteiro no auge dos seus 32 anos: tem muita mulher sobrando, mas companheira, ta faltando. Na verdade deve ser coisa minha mesmo; amei duas pessoas no mundo, e essas duas me deixaram. Acho que fiquei meio calejado. Mas uso a costumeira desculpa; no dia que Jeová achar uma "varoa" para mim, ela aparecerá no momento certo.

Bem, por aqui vou ficando. Espero não sumir de novo. Mas qualquer coisa, podem me achar no MSN ou no email: andrelago@yahoo.com.br

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

[ Trabalha vagabundo...! ]

Essa semana foi um verdadeiro inferno para mim. A Caixa Econômica Implantou uma nova gestão gerencial, que por sua vez interferiu nos sistemas o qual minha equipe dá suporte. Resultado: centenas de funcionários CAIXA ensandecidos ligando para o Help Desk em busca de informações, sistemas que no dia da implantação não funciona, arquivos que não baixam, tabelas que não importam e minha cabeça esplodindo para lidar com operadoras estressadas, sendo cobrados por superiores que por sua foram cobrados por seus superiores, enfim... trabalho.

A melhor coisa é um boato de esse mês teremos um aumento. Se for será um alento, porque é incrível como nossas dívidas aumentam com o passar do tempo. Mas enfim uma notícia realmente boa: Férias!. Na verdade minha grande expectativa este ano é poder tirar as minhas tão esperadas férias em abril. Depois de quatro anos trabalhando ininterruptamente, vou poder gozar de bem merecidas férias. Destino? Salvador, é claro. Quero rever os amigos que deixei e os novos amigos que encontrei. Talvez vou passar no Rio de Janeiro antes, mas a violência anda tão grande, que às vezes fico na dúvida.

Minha mãe já veio e já está indo. Desta vez não deu para ficar muito tempo por causa de minha sobrinha de 7 anos que fica o tempo todo chorando pela mãe. Mas criança é assim, fazer o quê? Acabou a comidinha caseira, a caminha arrumada, as roupinhas lavadas, a bajulação, enfim, aquelas coisas que só mãe sabe fazer direito.

Hoje é sexta-feira... estou em pleno "noite internacional da vadiagem" trabalhando, preparando um material para dar treinamento amanhã à minha equipe. Assim, boa noite e quem sabe até breve.

sábado, 6 de janeiro de 2007

[ A deliciosa comida dos escravos ]

O bom de ser baiano e ter uma mãe baiana é poder comer a deliciosa comida baiana! (sic) Hoje tive a oportunidade comer o melhor da cozinha dos escravos: caruru. Comida gordurosa, comida que deve passar longer de quem está em regime. A comida baiana, é conhecida também como comida de resto.

Assim como a feijoada, a maioria das iguarias da cozinha baiana nasceu nas senzalas, onde os escravos juntavam os restos de comida desprezados pelos portugueses. Na verdade o carurú veio com os africanos, pois fazia parte dos rituais das religiões africanas, e acabou sendo incorporado pelo baiano juntamente com o vatapá, feijão fradinho, o azeite de dendê e o acompanhamento que pode ser de frango ao azeite ou a moqueca de peixe.

Na África, o carurú era uma comida típica dos rituais de candomblé, mas no Brasil, acabou se tornando culinária comum, para não morrer de fome dentro das senzalas. Na verdade, salvo raras excessoes, a comida dos escravos era bem mais saborosa do que as porcarias servidas pela cozinha lusitana. Desta forma, a Bahia como maior estado negro brasileiro, acabou incorporando tais pratos em sua culinária, assim como o acarajé, abará, dentre outros.

Minha mãe faz o melhor carurú da Bahia! Sou suspeito, claro, mas como em Salvador só comemos estas comidas quando são feitas por irmãos - por motivos óbvios - até agora só achei gostoso o que minha mãe prepara. Portanto imagina minha alegria sabática de hoje?

Ouvi dizer que alguns irmãos, fora da Bahia, questionam se seria correto comermos um prato típico dos rituais africanos. Já soube de casos onde alguns se recusaram a almoçar em casa de irmãos "porque não iriam comer uma comida do candomblé!" e chegaram até a pregar que seria errado comermos. Bem, é claro que cada um tem sua própria consciência e precisam ser respeitados por isso. Nos dias dos apóstolos acontecia o mesmo. (1 Corintios 8:7, 8) Eu só não gosto quando as pessoas tem sua consciência e quer impor aos outros.

Sobre isso, gosto sempre de lembrar as palavras do Apóstolo Paulo em 1 Corintios 10:27, 31 quando ele disse "comei de tudo o que se vende no açougue sem fazer indagação por causa da vossa consciência, pois a "Jeová" pertence a terra e o que a enche." "Portanto, quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei todas as coisas para a glória de Deus."

E viva a culinária baiana. E Glória a Deus por isso.