quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

CAPAS DIFERENTES: POR QUE?



Você sabia que a capa das revistas A Sentinela e Despertai! pode mudar de "modelos" em algumas regiões?

Ao contrário da maioria dos países ocidentais, em alguns países da África e da Ásia, a diversidade racial não é assim tão comum e clara. Desta forma, para que as revistas não tenha resistência local, algumas delas os modelos são alterados para que nenhuma raça se sinta inferior ou discriminada. 

Fazer estas pequenas modificações é uma forma de ser flexível na pregação das boas novas em toda a terra habitada. - Mat. 24:14.




segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

SILENT LAMBS DENUNCIADO PELO ANONYMOUS

Em 2001, Willian H. Bowen, que serviu como Testemunha de Jeová por quase 50 anos, foi desassociado. Servindo como ancião, Bowen declarou que ouviu muitos casos envolvendo pedofilia, mas que havia sido orientado a "esconder" se limitando apenas a desassociar o faltoso. Bowen, incomodado, escreveu à Betel dizendo que achava que estes deveriam ser denunciados à polícia, diante da negativa, passou a escrever textos acusando a organização de proteger pedófilos, mesmo sem apresentar provas disso.

Revoltado, Bowen fundou a ONG Silent Lambs (Silêncio dos Inocentes), uma organização para apoiar as vítimas de pedofilia entre as Testemunhas de Jeová. Segundo o site existem só nos Estados Unidos 23 mil denuncias de casos de pedofilia.


Bowen e seu grupo fazendo ativismo em frente a um Salão do Reino. Suas reais intenções foram questionadas pelo Anonymous nos Estados Unidos.  


Mesmo que os casos envolvendo pedofilia na Igreja Católica sejam gritantes e ocorram há muitos mais anos, especialmente pelo fato dos seus acusadores continuarem servindo como líderes de suas igrejas, ano passado o Juri da Califórnia deu ganho de causa a Candance Conti, no processo movido contra Jonathan Kendri, uma testemunha de Jeová, que abusou sexualmente dela por dois anos desde que ela  tinha 9 anos de idade.  O Tribunal alegou que a Sociedade Torre de Vigia foi conivente pois além da expulsão (desassociado) caberia aos irmãos denunciá-lo à autoridades e condenou a  pagar 40% da indenização de US$ 28 milhões. A decisão cabe recurso e ainda não houve novo julgamento.

Embora sites como o Silent Lambs sejam motivos de regozijo para apóstatas, e existam realmente casos que merecem ser investigados, o fato é depois de 10 anos o grupo de Bowen jamais conseguiu provar um caso de pedofilia, salvo, claro, por acusações lançadas à esmo sem provas suficientes para se abrir um processo judicial. Os pouco mais de 7 casos que houve abertura de processo judicial, não tinha a participação dos Lambs. Curiosamente, Bowen tentou pegar carona no caso de Candance Conti e foi então que ele passou a receber ataques de onde ele menos esperava. O grupo Anonymous (uma legião de usuários na internet responsáveis por investigar e denunciar crimes diversos) dos EUA publicou uma matéria questionando as reais intenções de Bowen e fazendo acusações sérias.

Conti, e seu advogado Rick Simmons. Embora ela tenha várias passagens por uso e tráfico
de drogas e roubo a lojas, ela alega que o processo não visava o dinheiro, mas sua dignidade.
 



Acusações do Anonymous contra o Silent Lambs:

  • O Silent Lambs pratica desonestidade e fraude ao dizer que eles foram os responsáveis pelas vitórias nos raros casos que houve, quando na verdade o mérito foram de advogados particulares que não tinham relação nenhuma com o grupo.
  • O Silent Lambs continuaria arrecadando fundos como se fosse uma organização sem fins lucrativos quando na verdade essa condição foi revogada em 2004 pela Receita Federal dos Estados Unidos por não apresentar documentos necessários.
  • Vítimas de abusos que não querem envolver o nome das Testemunhas de Jeová e deseja apenas processar o autor dos crimes não recebem o apoio do Silent Lambs e são até maltratados, conforme conversas gravadas.
  • É mentira a declaração no site da Silent Lambs dizendo que um dos membros do Conselho Administrativo é uma Testemunha de Jeová ativa.
  • O documento que prova de que Bill Bowen se casou pela primeira vez com uma menor de idade quando ele tinha apenas 23 anos, crime que hoje poderia ser relacionado aos crimes de pedofilia.
  • Bowen declarou que existem cerca de 5 mil casos de acusações de pedofilia contra Testemunhas de Jeová, contudo  maioria de relatos mentirosos, faltas declarações ou contradições e curiosamente nenhum deles foram entregues às autoridades.
  • Gravações que mostram Bowen declarando que todas as vítimas, ou pais, são gananciosos e estão apenas atrás de dinheiro.
  • Que é mentira a alegação de Bowen que possui pessoas que lhe passam informações dentro de Betel.
  • Sua recusa em ajudar nos esforços das autoridades em fornecer seu banco de dados dos supostos denunciantes.
  • Documento de autoridades policiais solicitando que Bowen pare de entrar em contato com suspostas vítimas de abuso sexual sem estar com um profissional treinado para estas situações. 

O site Silent Lambs não se justificou e nem se defendeu das acusações. A apenas redigiu uma nota com o objetivo de desacreditar no grupo Anonymous.

Curiosamente, quando a se declarar como grupo sem fins lucrativos, a informação foi substituída aós as denuncias pela seguinte mensagem (em inglês):

Silentlambs, inc. agora é um 501 (C) (3) não - corporação sem fins lucrativos e sua doação para apoiar o nosso trabalho pode agora ser imposto - dedutível. Dinheiro doado será usado exclusivamente para o benefício de assistência às vítimas e dar a conhecer esta questão para forçar Watchtower a mudar sua política equivocada. Você pode usar um crédito cartão, ordem de pagamento ou de Pagamento - Pal.

Co-responsáveis?

Conforme própria nota da Wathtower, infelizmente crimes sexuais como a pedofilia é uma praga mundial e as Testemunhas de Jeová estão suscetíveis a isso. Contudo, seguindo os princípios bíblicos estabelecidos, não somos coniventes. Ao contrário do que ocorre em outras religiões, o acusado é automaticamente privado de cargos dentro da organização e confirmado o crime, são desassociados (expulsos).

De todos os poucos casos onde houve envolvimento de ex-Testemunhas de Jeová a grande questão foi: cabe aos sacerdotes religiosos denunciar crimes que lhes são contados em caráter de confissão de pecados? No caso de crimes de pedofilia não caberia tão somente os pais da vítima essa acusação, diante do ônus da prova e de todos as investigações e procedimentos atenuantes?

Se a Justiça Americana mantiver a decisão no caso Candance Conti, abrirá um precedente para que todas as religiões sejam co-responsáveis pelos erros que seus membros venham a ocorrer.


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

O VOTO NULO E A QUESTÃO DOS IMPOSTOS NA FRANÇA

"...examinando cuidadosamente as Escrituras, cada dia, 
quanto a se estas coisas eram assim."
- Atos 17:10-12





Em 2011, como foi bastante divulgado as Testemunhas de Jeová conseguiram vencer uma das batalhas mais sangrentas de sua história. Em Estrasburgo, na França, o Tribunal de Direitos Humanos da Europa determinou que o governo Francês violou o direito das Testemunhas de Jeová quando tentou impor um imposto retroativo de 60% sobre todas as doações feitas pelos irmãos entre 1993 e 1996. No total, o governo francês tentou obrigar a Associação das Testemunhas de Jeová na França a pagar 58 milhões de euros (quase 190 milhões de reais à época), valor muito superior a de todos os bens da Associação naquele país, ou seja, isso seria praticamente o banimento jurídico das Testemunhas de Jeová na França.

O que tornou o caso curioso é que nenhuma outra religião importante na França já foi submetida a tal tributação excessiva. Nem mesmo os muçulmanos, alvos recentes do chamado Estado Laico francês. O tribunal decidiu por unanimidade que as ações do governo violaram a liberdade religiosa das Testemunhas de Jeová como garante a Convenção Europeia de Direitos Humanos. E determinou que o imposto contestado resultaria em um corte nos fundos essenciais da Associação e, que portanto, não poderiam mais garantir a seus seguidores o livre exercício de sua religião em termos práticos. "O imposto ameaçava a sobrevivência ou, pelo menos, interferia seriamente com a organização interna, o funcionamento da associação e suas atividades religiosas."

Até aí tudo bem. Vivas! Graças a Jeová conseguimos vencer uma batalha neste mundo governado por Satanás, diriam os mais exaltados. E nisso eu fico me perguntando: será que Jeová entrou na mente de todos os juízes da Corte Europeia para favorecer as Testemunhas de Jeová? E fazendo tal coisa, por que será que Ele mesmo não o faz em outros países da Europa Oriental, Ásia ou da África onde as Testemunhas de Jeová continuam a ser frequentemente perseguida?

Como eu sempre gosto de pesquisar profundamente as coisas para ter uma visão dos dois lados da moeda e estabelecer meu julgamento, conversei com um irmão de Lion, que embora não seja desassociado, mas é um daqueles que os superfinos apóstolos taxariam como "irmão fraco". Se é que vocês acham que alguém que se limita a ir as reuniões, comenta de vez em quando e sai no campo somente aos domingos - e conversa com desassociados, claro - alguém fraco. 

O lance é mais ou menos o seguinte. Existe na França um forte lobby de que o país seja laico, e em base disso, de que todas as religiões sejam tratadas de forma igualitária. As Testemunhas de Jeová nunca foram perseguidas na França. Podemos até dizer que do ponto de vista religioso, os muçulmanos, com a Lei que restringe uso de símbolos o que impediria que mulheres usassem burcas, foram mais perseguidos do que nós. Porém, utilizando a liberdade democrática francesa, em 2000 as Testemunhas de Jeová distribuíram o folheto "O que está se formando na França?" onde o texto criticava claramente os políticos e a religião falsa, nada do que já sabemos por meio do estudo da Bíblia. Aqui no Brasil, o folheto semelhante passou despercebido, mas na França foi bastante veiculado pela mídia e isso irritou os políticos, que parecem, na falta de algo para acusar as Testemunhas de Jeová, viu na cobrança dos impostos uma forma de retaliação.

Voto Nulo!

E aí entra uma questão que eu sempre tive meus questionamentos, principalmente quando eu era questionado por pessoas no serviço de campo ou ao dar testemunho informal. Por que as Testemunhas de Jeová votam nulo?

Se pesquisar sobre voto nulo nas publicações da Associação, achará pouquíssimos artigos e, mais poucos ainda, exortando os irmãos a votarem nulo em eleições. Então porque se tornou popular a ideia de que temos que votar nulo?

Um dos poucos artigos que falam claramente sobre isso está no livro "Amor de Deus", nas páginas 212 a 215: "Votar em eleições políticas. Os cristãos verdadeiros respeitam o direito dos outros de votar. Eles não se opõem às eleições; cooperam com as autoridades eleitas. Mas permanecem totalmente neutros nos assuntos políticos das nações.". Depois disso o texto versa sobre os três hebreus que permaneceram fiéis e continua: "Sabendo que Sadraque, Mesaque e Abednego foram até a planície de Dura, um cristão, em circunstâncias similares, talvez decida ir às urnas se sua consciência o permite. Mas tomará cuidado para não violar sua neutralidade." O que seria essa neutralidade? Depois de alistar alguns textos para fazer o cristão raciocinar, um dos mais emblemáticos é o de número quatro:

Os que elegem alguém para determinado cargo político compartilham a responsabilidade pelas coisas que ele faz. — Note os princípios contidos nas palavras registradas em 1 Samuel 8:5, 10-18 e 1 Timóteo 5:22.

À base disso, questiono se o inverso também não é verdadeiro? Somos responsáveis também pelas coisas que o político fará contra a Organização de Jeová, se não tomarmos medidas contra ele?

Um exemplo simples. Em 1989 uma das bandeiras levantadas pelo futuro presidente Fernando Collor era que o serviço militar fosse realmente obrigatório a todos, sem distinção, e a revogação do serviço alternativo. Collor mirava nos petistas e comunistas, mas sem querer acertou nas Testemunhas de Jeová que se beneficia da mesma Lei para se isentar de servir ao Exército. Foi uma comoção. Eu era recém batizado, mas todos os irmãos diziam que era o "sinal dos últimos dias" e que "a tribulação tinha chegado". Eu tinha apenas 17 anos e já estava me preparando pra ser torturado, perseguido e me tornar um mártir. Então numa reunião questionei: porque simplesmente não votamos contra ele, ou seja, em outro candidato? (Tudo bem, a outra opção era Lula, ia dar mierda do mesmo jeito, mas enfim.) E isso foi visto como absurdo. Imaginem alguém sugerir isso numa reunião, estudo de A Sentinela. As Testemunhas de Jeová não votam!  Mas se Collor tivesse obrigado a todas as Testemunhas de Jeová a servirem o exército, não estaríamos sendo conivente com ele? Cometi minha primeira rebelião e votei no Lula! (sic)

Agora voltando a questão dos irmãos na França. É sabido que o governo francês estava destinado a cobrar os impostos retroativos da Associação. As Testemunhas de Jeová perderam em todas as instâncias naquele país. Se a França não fizesse parte da União Européia, era o fim.

Mas mesmo sendo neutras, isso não impediu que o Corpo Governante mandasse em 1998 uma carta aberta ao então Presidente francês Jacques Chirad, que foi reproduzida em página inteira pelo importante jornal americano The New York Times, sob o título "França se move para taxar religião".   Quem trabalha nos meios jurídicos sabe que "cartas aberta" tem muito muito mais intenção de criar uma celeuma em torno do alvo, do que necessariamente solicitar-lhe algo, senão, seria uma carta pessoal. A Carta Aberta, de um modo geral, é uma forma de protesto, de expor publicamente o problema e com isso criar uma pressão da opinião pública ou da mídia quanto a um determinado problema.

O Corpo Governante apelou ao Presidente da França para que liberdade
das Testemunhas de Jeová fossem mantidas num anuncio de página inteira no New York Times. 


Se buscar ajuda de autoridades religiosas seria uma forma de quebrar a neutralidade cristã, porque o Corpo Governante apelou para o Presidente da França? Isso foi uma forma clara de apelar para as autoridades políticas.

Apesar de tudo, não deu certo! O presidente riu da carta ao dizer que faria aquilo que fosse melhor para a França e deu toda autoridade ao ministro da Fazenda de cobrar da Associação os R$ 190 milhões de reais, bem vindos, às finanças francesas. A "Salvação" veio do Tribunal dos Direitos Humanos da Europa - última instância dos países membros - onde a França foi obrigada a desistir da cobrança dos impostos.

Por fim, sei que vai aparecer uma "galera" de anônimos me xingando, dizendo que sou apóstata, rebelde, filho do cão, que estou contribuindo pra "vituperar" alguma coisa. Se eu estivesse na Organização, eu mandaria mais uma carta para Betel questionando, mas como não posso, espero que alguém possa descer do pedestal da obviedade e me dar uma boa explicação.