sábado, 8 de março de 2014

O QUE É A QUARESMA?

Quaresma é o nome dado ao rito católico estabelecido possivelmente no quarto século pela Igreja Católica, de jejuar ou penitenciar por quarenta dias antes da Páscoa. Antigamente a quaresma era caracterizada por jejuns literais e sacrifícios físicos. Hoje em dia, diante da relatividade católica, o jejum não existe mais. Os católicos apenas se abstém de alguma coisa que gosta muito como bebidas alcoólicas, doces, comida preferida, chocolate ou coisas assim.


A Quaresma é um dos mais importantes rituais da fé católica. 

O site da CNBB explica a quaresma da seguinte forma:

"A Quaresma é um tempo privilegiado para intensificar o caminho da própria conversão. Este caminho supõe cooperar com a graça, para dar morte ao homem velho que atua em nós. Trata-se de romper com o pecado que habita em nossos corações, nos afastar de todo aquilo que nos separa do Plano de Deus, e por conseguinte, de nossa felicidade e realização pessoal. É tempo para nos arrependermos e de mudar algo de nós para sermos melhores e poder viver mais próximos de Cristo."

"Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material. Os zeros que o seguem significam o tempo de nossa vida na terra, suas provações e dificuldades. Portanto, a duração da Quaresma está baseada no símbolo deste número na Bíblia. Nela, é relatada as passagens dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias de Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou a estada dos judeus no Egito, entre outras. Esses períodos vêm sempre antes de fatos importantes e se relacionam com a necessidade de ir criando um clima adequado e dirigindo o coração para algo que vai acontecer."

Em princípio a Quaresma não tem nada demais,  afinal, se abster  ou fazer pequenos sacrifícios em nome de Deus sempre é uma forma de demonstrar nosso amor. Não é? Vejamos. 

Quaresma na Bíblia.

De fato, o numero quatro possui um significado profético. Geralmente está associado à universalidade ou uma quadrangulação em simetria ou forma. É uma forma de Jeová estabelecer que suas decisões são organizadas, sem arestas. Em Revelação menciona os "quatro anjos" encarregados dos "quatro ventos" prontos para a destruição completa. Os efeitos no mundo hoje são causados principalmente pela influência dos "quatro" cavaleiros do apocalipse. (Rev. 7:1; 6:1-17).

Jesus, realmente jejuou por 40 dias e 40 noites, mas em nenhum registro bíblico - inclusive nos livros apócrifos católicos - existe exortação de que o cristão deva fazer o mesmo. Não existe nenhuma evidência de que os apóstolos ou os cristãos primitivos tenham feito isso. 

A verdadeira origem da Quaresma.

Na quarto século, quando o imperador romano Constantino se converteu ao cristianismo, a Igreja Católica foi oficialmente fundada ao fundir religião e Estado. Constantino estabeleceu os princípios da religião naquela que é conhecida como o primeiro concílio (uma reunião de cardeais e líderes com objetivo de estabelecer normas e doutrinas da fé católica) em Nicéia (atual Turquia) em 325 d.C.  Uma delas foi a quaresma defendida por cardeais mais conservadores que eram contra a inserção de costumes pagãos.

Jesus jejuou por quarenta dias após seu batismo, mas na versão católica, o jejum deveria ser praticado quarenta dias antes da morte de Cristo. Mas curiosamente a Quaresma já era praticada por três nações religiosas: Babilônia, Egito e Grécia, e mais curiosamente ainda, eles eram praticados no início do ano, justamente no mesmo período que se pratica hoje em dia.  

Como disse, se abster de algo ou se sacrificar em nome de Deus não tem nada demais. Contudo, utilizar como padrão um ritual que era usado por povos antigos para adorar deuses falsos, não seria algo a se pensar quando Deus estabelece que sua adoração é pura e imaculada? 

A origem do Carnaval

Se por um lado os cardeais radicais queriam fortalecer a fé católica, por outro acabaram por criar indiretamente o Carnaval.

Quando Constantino se converteu ao cristianismo e fundiu a Igreja com o Estado, isso não agradou aos romanos acostumados com sua relatividade religiosa. Muitos deles eram praticantes da mitologia romana ou de outros costumes pagãos (nome dado a costumes religiosos de outras nações não cristã) como a adoração a Baco, que era uma festa regida a bebedeiras e práticas sexuais, costumeiramente praticada desde 600 a.C, que deu origem ao termo Bacanal.


A Quaresma ajudou a popularizar a festividade de adoração a Baco dando origem ao Carnaval.



Quando foi estabelecido a Quaresma, Constantino proibiu qualquer manifestação religiosa não cristã ou festas seculares, inclusive esta de adoração à Baco. Diante disso, o último dia antes da quaresma virava uma loucura total onde todos tentavam se entregar ao máximo de prazer possível antes que se começasse a "proibição". Este dia passou a ser chamado de dia do "adeus à carne", ou simplesmente "Carne Vale", expressão em latin que originou o Carnaval.