quinta-feira, 31 de julho de 2014

CHEGOU A HORA DE RECOMEÇAR

Cria em mim, ó Deus, um coração puro,
e renova em mim um espírito reto.
- Salmo 51:10


O perdão é uma das qualidades mais lindas. Fico em dúvida entre ela e o amor, qual das qualidades mais fantásticas de Jeová. Alguém pode até dizer que o perdão é uma vertente do amor, mas eu prefiro trata-la à margem, porque nem sempre perdoamos porque amamos ou porque a pessoa merece. Perdoamos, algumas vezes, por uma questão de princípio. Perdoar não significa esquecer, a despeito de algumas frases clichês. Perdoar é uma coisa, esquecer é outra. O princípio bíblico diz que devemos fazer as duas coisas juntas, mas só o perdão, por si só, é uma atitude louvável.

Quantas vezes você perdoou alguém? Perdoaria duas vezes? E sete vezes o erro de uma mesma pessoa? Questionado, Jesus estabeleceu um padrão ainda maior. “Até setenta e sete vezes mais!” Já imaginou o que isto significa? - Mat. 18:22

Erramos todos os dias, em pensamento, em ações, enfim, somos imperfeitos e não atingimos a glória de Deus. Somos lembrados disso todos os dias nas reuniões, mas ainda temos aquela velha maneira de subestimar o amor de Jeová. Sejam os irmãos fundamentalistas – não os condeno, muitos são levados a acreditar assim pelas opiniões pessoais de anciãos da velha guarda ditas nas entrelinhas pela tribuna – ou nós, os desassociados, que cometemos erros graves, mas mesmo aqui fora continuamos a amar nosso Deus de todo coração, sempre somos levados a crer em um Deus vingativo e rancoroso pronto a destruir todo aquele que não faz sua vontade.

Sabemos que isso realmente ocorrerá na grande guerra do Armagedom, mas como ela ainda não chegou, se pergunte: você já se perdoou? 

“Como assim, André? Quem tem que me perdoar é Jeová.” É aí que vem a boa notícia: Jeová já te perdoou no momento em que você olhou para os céus ou com os joelhos no chão em prantos, se apresentou a ele em oração. Garanto a vocês que nunca houve um dia em que eu não suplicasse algo a Ele que não tenha sido ao menos ouvido. - Jo. 6:37

Jeová é o “Ouvinte de oração”. A Bíblia não diz que ele é ouvinte desse, ou daquele, desta religião, ou daquela. Ele ouve a todos que queira fazer Sua vontade. (Sal. 65:2; Mat. 5:6)

Saiba que a desassociação, hoje em dia, é um emaranhado de procedimentos administrativos criado em cima de um princípio bíblico que não estabeleceu regras claras sobre o assunto. Como Jeová estabeleceu o Escravo Fiel para cuidar das coisas na Terra, temos que estar dispostos a seguir esses procedimentos. Contudo, lembre-se que o fato de estar desassociado tem mais efeito social do que espiritual. O que determina sua condição perante a Jeová é o seu coração. É o quanto, mesmo estando nesta condição, você ainda ama a Jeová (1 Sam. 17:6)

Se você é uma das pessoas que está desassociada hoje e não consegue ter forças para retornar por vergonha, desânimo, mágoa ou apenas porque acha que cometeu um erro tão grave que se acha indigna de se achegar a Jeová ou de retornar à sua Organização, deixa de besteira!!

Vejamos alguns casos. 
  • Davi cometeu adultério e foi mentor de um assassinato. Foi perdoado.
  • Abraão questionou a decisão de Jeová insistentemente. Foi perdoado.
  • O rei Manassés adorou Baal no templo, perseguiu profetas, ofereceu seu filho como sacrifício, blasfemava contra Jeová. Foi perdoado.
  • Jó presunçosamente achou que Jeová havia lhe tirado tudo injustamente. Foi perdoado.
  • As filhas de Ló cometeram incesto com o pai. Foram perdoadas.

Seu pecado foi maior do que o deles? E olhe que tudo isso ocorreu antes de Jesus Cristo vir a Terra e dar uma visão mais ampla do amor de Deus e do perdão com o novo pacto.

Reforce o seu coração. Assim como vocês, eu também tenho muitos pecados e às vezes me vejo dando um passo para trás cada vez que decido retornar à Organização. Algumas dúvidas que não consigo explicação, algumas normas que eu não concordo, alguns tipos de comportamento que não acho que aceitaria novamente, meu problema com o alcoolismo e, sim, sexo.

Mas diante de todas as libertações que Jeová tem dado à nossa vida, mesmo errando e cometendo sandices, vez após vez, comecei a me perguntar se realmente eram coisas sérias que pudesse me manter afastado de Jeová.

Decididamente, não vale à pena. Decididamente é hora de retornar. É hora de corrigir os erros, repensar a vida e perceber que não temos nada a ganhar aqui fora. E que seja lá quais são as pequenas coisas que impeçam sua volta, é hora de recomeçar – Atos 3:19



terça-feira, 29 de julho de 2014

JUDAS E O LIVRO DE ENOQUE


Com a polêmica criada em torno do filme Noé, um dos livros apócrifos mais esquecidos voltou ao debate em sites e fórum de discussões. Retornando ao meu estudo pessoal sobre o assunto, contudo, me debati com uma informações, no mínimo, curiosa. Mas antes...

Enoque foi o único homem que "andava" com Deus num mundo iníquo.



QUEM FOI ENOQUE?

A Bíblia menciona dois Enoques. O primeiro, filho de Caim mencionado no quarto capítulo de Gênesis. Não foi ninguém importante.

O segundo, este sim, nos interessa: Enoque, sétimo homem da descendência de Adão, pai de Matusalém, avô de Noé. Aprendemos desde o Meu Livro de Histórias Bíblicas que Enoque foi o homem mais corajoso que já viveu, pois era o único homem na Terra que adorava a Jeová. Possivelmente sofreu perseguição por isso, mas Jeová não o deixou ser morto. Um dos poucos homens que foi levado pelo próprio Jeová. – Gen. 5:18, 21-24.


LIVRO DE ENOQUE

Compilações de textos, escritos em aramaico e algumas cópias em etíope, encontrados em Qumram, um sitio arqueológico na Palestina, datados do terceiro ou segundo século antes de Cristo, que teriam sido escritos pelo próprio Enoque, relatando com riquezas de detalhes a rebelião de anjos (chamados de Vigilantes) que vieram à Terra ter relações sexuais com mulheres e a propagação de feitiçarias, o nascimento dos nefilins, a violência na Terra, e por fim, as profecias de julgamento de Deus.

A parte que mais nos interessa são os 36 capítulos chamado de Livro dos Vigilantes. É o relato que faz uma tentativa de preencher as lacunas deixadas por Gênesis para explicar, com riqueza de detalhes, sobre o processo que precedeu o dilúvio.

O livro pode ser dividido em três grandes partes: introdução (1-5);  história dos Vigilantes (nome dado aos anjos que se rebelaram) (6-16) e as viagens de Enoque (17-36).

No relato, Samyaza, um dos anjos rebeldes, convence mais 18 anjos a descer e ter relações com as mulheres. Não apenas isso; eles ensinam sobre astrologia e feiticaria, entre outras coisas que Jeová detesta. Desta relação nascem os Nefilins, gigantes que causam terror à terra praticando violência, orgias, bestialismo e até canibalismo. Por meio do anjo Rafael, Deus ordena a Noé e sua família que construa a Arca, pois destruirá a Terra.

AUTÊNTICO?

O livro de Enoque, embora autêntico, nunca foi relacionado no Canon Hebraico da Bíblia. Os relatos, embora similares ao registro de Gênesis e às profecias de Ezequiel, contem muitas ramificações que levam à astrologia (prática odiada por Jeová) e historias muito fantasiosas que não se harmonizam com os demais livros da Bíblia. Até mesmo os especialistas católicos, que adotaram 8 livros apócrifos, rejeitaram o suposto livro escrito por Enoque.

JUDAS CITOU O LIVRO DE ENOQUE?

A polêmica, contudo, começa aqui. Na carta de Judas, nos versículos 14 e 15, há o seguinte relato:

"Sim, o sétimo homem [na linhagem] de Adão, Enoque, profetizou também a respeito deles, dizendo: “Eis que Jeová veio com as suas santas miríades, para executar o julgamento contra todos e para declarar todos os ímpios culpados de todas as suas ações ímpias que fizeram de modo ímpio, e de todas as coisas chocantes que os pecadores ímpios falaram contra ele.”

A carta de Judas foi escrita em 65 EC, na Palestina, mesmo lugar onde fora encontrado o livro de Enoque, escrito cerca de 200 anos antes. Os estudiosos dizem que Judas está claramente citando o livro de Enoque, uma vez que não existe nenhum outro registro no Pentateuco das profecias dele. 

Decidi, então, fazer uma pesquisa sobre o assunto na Biblioteca OnLine e encontrei poucas informações relacionadas. Fui à fonte principal, e olha o que encontrei no Estudo Perpicaz das Escrituras sobre o verbete Judas: “Uma fonte comum pode ter fornecido a base para a declaração feita tanto na carta inspirada como no livro apócrifo.” (it2 pp.620-621).

Desculpem se entendi errado, mas em outras palavras, o próprio Escravo assume que Judas poderia estar citando uma fonte que serviu de base para escrever também o Livro de Enoque? Sendo assim, uma questão acaba deixando-nos confuso. Pensem bem: se Judas é um livro inspirado por Deus então a afirmação feita no Livro de Enoque também o foi? E se o livro de Enoque é falso, então, estamos levantando a hipótese de Judas ter utilizado uma afirmação falsa num livro que seria inspirado por Deus? Se a fonte de Judas é a mesma do autor do Livro de Enoque, podemos então considerar que parte do que foi escrito foi verdadeiro?

Bom estudo pessoal pra vocês.