segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

O CURIOSO CASO DE PERCY HARDING





Percy Harding. Um canadense que em 1910, aos 20 anos de idade,  conheceu a verdade por meio dos escritos de Russell e se tornou um Estudante da Bíblia ou Russelita, como os irmãos eram conhecidos àquela época. Em 1925 serviu na sede mundial, retornou pouco tempo depois por não concordar com as mudanças impostas pelo novo presidente da Torre de Vigia. Alega ter vivido quase 56 anos na mesma congregação até ser desassociado em 1981 aos 91 anos de idade. Percy Harding, depois de Raymond Franz, é o personagem preferido nas citações de apóstatas, religiosos e demais inimigos das Testemunhas de Jeová.

Pra começar, para saber quem é Percy Harding, terá que navegar por páginas apóstatas o que não é muito recomendado. Mas serve de um parâmetro interessante, ou seja, sua história é apenas contadas por pessoas que tem mágoas com a Organização ou se tornou inimigo dela.  Pra ser conciso só sabemos sobre Percy por meio do livro publicado por Raymond Franz. Isso significa que todas as histórias registradas possuem tudo, menos imparcialidade.

Numa suposta carta deixada, ele descreve:

Em 1918 deixei um bom emprego para tornar-me colportor [pioneiro]. Meu território cobria centenas de quilômetros quadrados, na maior parte ao longo das ferrovias, do sul de Alberta à costa do Pacífico. Cobri também o território rural a pé, carregando duas pequenas sacolas de livros. Muitas vezes caminhava até 25 ou 40 quilômetros por dia.

Em maio de 1925 até dezembro de 1981 permaneci na mesma congregação...

Vamos destrinchar essa informação? Pra começar o próprio Percy Harding admite que conheceu a verdade por meio dos escritos de Russel de forma arrebatadora. Em pouco mais de seis meses, se orgulha de ter devorado cerca de 3.000 páginas dos escritos dele. Alguns dizem que isso é abdicação, ouros diriam, obsessão? Tudo ocorreu cerca de 06 anos antes de Russell morrer em 1916 o que significa que Percy conviveu durante muito tempo sob a visão e organização de Charles Taze Russell. 

Se você já leu o livro Proclamadores do Reino de Deus sabe que Charles T. Russell foi usado por Jeová para dar inicio à sua Organização na Terra, mas seu conhecimento bíblico ainda era bastante limitado. Russell serviu durante muito tempo aos objetivos de Jeová que era o de reunir um povo para seu nome na Terra. Mas eram tempos sombrios, onde as pessoas ainda engatinhavam e a verdade ainda não estava assim tão concisa. O relato mostra que com o tempo muitas pessoas confundiam o carinho e respeito que tinham pelo Pastor Russell, por idolatria. Não por pouco, os irmãos, embora exortados a serem conhecidos por Estudantes da Bíblia, preferiam ser reconhecidos como russelitas. Não havia dúvida de que tinham desenvolvido uma espécie de idolatria velada. 

Essa admiração ao extremo causaria grandes problemas mais tarde quando J. F. Rutherford assumiu a presidência da Sociedade Torre de Vigia. Menos carismático que seu antecessor, Rutherford era mais incisivo, veemente, e tinha uma visão mais progressiva da organização. O livro registra que por causa disso Rutheford conseguiu muitos inimigos dentro da Sociedade Torre de Vigia, todos eles ainda apegados a Russell e que achavam que as mudanças organizacionais promovidas por ele era quase uma heresia. Tempos depois, associado à prisão injusta do corpo governante em 1918, isso resultou em muitas baixas entre os estudantes da bíblia ao ponto de em certo momento, os estudantes da Bíblia, como organização, praticamente não existia mais. 

Será que Percy Harding não estaria entre esses descontentes?

O próprio registro dele diz que somente em 1925 ele foi servir na Torre de Vigia e possivelmente, com todo seu ardor influenciado pelos escritos de Russell. Um tipo de pessoa que facilmente se decepcionaria com as mudanças proporcionadas por alguém, que estava disposto, entre outras coisas, acabar com essa idolatria velada. Percy Harding tinha todas as características de estar sim entre esses revoltosos. 

Percy alega que voltou para sua congregação onde ficou por 56 anos. Como alguém consegue ficar 56 anos numa mesma congregação sem nunca ter progredido a nada, nunca ter assumido um cargo ou privilégio na congregação? Especialmente para um homem que largou tudo, emprego, para se tornar colportor (pioneiro especial)  chegando a percorrer até 40 km diariamente e servir na sede numa cidade do outro lado do mundo, em outro país?  

Percy Harding poderia ter passado todo esse tempo, vegetando, esperando que as mudanças de Rutheford fossem passageiras e que no tempo devido a organização voltaria a se tornar o modelo primitivo dos dias de Russell ou simplesmente vendo como as coisas iriam acontecer, já que pra ele, pelo menos, estava claro que as outras religiões não ofereciam o brilho de nosso Deus. Mas com o tempo andando, e mudando, talvez não tenha aceitado essas mudanças e achasse que a Organização de Jeová não estava andando do modo que ele achava que deveria andar. Talvez Percy não entendesse que sob a direção de Jeová, a organização estivesse mudando à medida que a luz clareava mais e mais. - Pro 4:18

"...até que fui desassociado por conversar sobre a Palavra de Deus com uns poucos amigos. Isto foi incrível, e no que diz respeito à Sociedade, uma atitude lamentável. A comissão judicativa tinha uma carta do corpo de anciãos de outra congregação. Eles tinham desassociado um amigo meu.

Existem dois tipos de desassociados. O que reconhece o erro e sabe que está assumindo as consequências desse erro; e há os que não reconhecem o erro e acham que sua desassociação foi uma atitude injusta. O que pode nos garantir que Percy não entrou nessa segunda categoria?

Ele foi desassociado por manter relação estrita com outros desassociados, pecado este passível de desassociação (sic) até hoje! Podemos achar exagerado, errado, mas está na regra e como diz aquele famoso árbitro, a regra é clara. Quantas vezes inúmeros irmãos que retornaram não me manda uma mensagem pedindo para eu excluir comentários postados por eles aqui? É por isso que ainda permito a postagem de comentários anônimos, porque sei das consequências implicadas nisso. Percy errou e devia ter admitido isso. Mas vamos mais além... olha o que ele admite:

 Eles o interrogaram demoradamente a respeito de outras pessoas com quem tinha conversado sobre a Bíblia. Ele cedeu e disse o que queriam, mencionando meu nome dentre outros. Então, esta carta enviada pelos anciãos, incluindo coisas que eu e os demais tínhamos dito, foi-me apresentada junto com o pedido para que eu as comentasse. Eu disse à comissão que nada tinha a dizer, que o que se passara entre eu e meus amigos era assunto estritamente particular e não era da conta de mais ninguém. Prometeram-me uma cópia da carta, mas eu nunca a recebi. Permanece o fato de que a questão foi suscitada, não porque estivesse causando perturbação, algo que fosse evidente na congregação, mas devido a conversas particulares com amigos. Ninguém na congregação se queixara dele como “agitador” e o assunto só se tornou problema em resultado da carta da outra congregação que deu início à investigação e ao interrogatório dos anciãos a respeito de seus comentários particulares sobre temas bíblicos, feitos a amigos pessoais."

Percy não mantinha conversas pessoais e sobre assuntos triviais com seus amigos desassociados, não!, ele mantinha discussões à respeito da Organização de Jeová. E não era só com seu amigo, mas com outros desassociados também. Qual seria o teor dessa conversa? Será que Percy ainda mantinha ressentimentos pelos mudanças causadas por Rutherford e pelos demais presidentes subsequentes? Será que ele não fazia críticas severas quanto à organização, e de alguma forma, estava ajudando a propagar a semente da rebeldia, desobediência, que poderia levar à apostasia?

Não sabemos, porque a unica informação que temos é advinda do relato de Raymond Franz em seu livro Crise de Consciência, e em seu livro ele pode escrever, ou omitir, o que quiser. Mas ainda assim, temos uma dica.

Pelo visto os irmãos seguiram a cartilha do Livro dos Anciãos que recomenda que se busque o que está no coração do errante, com o objetivo de fazê-lo se arrepender e talvez evitar uma desassociação, ou, infelizmente, para se ter certeza de que ele deva ser desassociado por causa de seu coração frio. O livro diz: "Se o transgressor é culpado de pecado crasso, mas dá evidência de arrependimento piedoso, mesmo tão tardiamente quanto na audiência, a repreensão judicativa dada pela comissão talvez seja o suficiente; a desassociação pode não ser necessária. (2 Tim. 4:1, 2; Tito 1:9; w83 1/4 pp. 31-2)" Foi isso que Percy fez? Não.

"Depois, começaram a fazer perguntas, e a mais importante era: “Crê que a Sociedade é a organização de Deus e que está transmitindo a verdade?” Então eu disse: “Não há nada na Palavra de Deus que indique que Deus alguma vez usou uma ‘organização’ para transmitir a verdade. De Moisés, passando por todos os profetas até João e Revelação, tratou-se sempre de indivíduos."

Ele renegou a Organização como sendo instrumento de Jeová!

Será que ele achava que apenas Charles Taze Russell tinha sido o "profeta" contemporâneo de nosso Deus? Se na frente dos anciãos ele disse isso, imagina qual deve ter sido o teor das cartas e conversas com seus amigos desassociados? Desculpa, a regra é clara, e Percy Harding foi desassociado justamente, mesmo que tivesse 91 anos de idade, por rebeldia, e talvez, por apostasia. O resto é previsível.

Se haviam duas irmãs enfermeiras que iam ajudá-lo de forma voluntária e amorosa, é de se esperar que ela deixe de fazê-lo, agora que era um desassociado. Onde estariam seus familiares? Ele passou 91 anos sem casar? Sem ter filhos? Sem ter ninguém por ele? Onde estavam seus amigos desassociados agora?

Ficou chateado porque sua desassociação foi anunciada numa congregação de 175 pessoas e depois os irmãos passaram por você sem falar contigo? Desculpa novamente, pega a senha e entra na fila, porque por ano isso ocorre com cerca de 40 mil pessoas. E elas reconhecem seu erro, humildemente, fazem seus planos para voltar e são recebidos por estes mesmos irmãos de modo feliz e de braços abertos.

Por fim, tudo que eu falei, são conjecturas. Minha defesa é uma suposição da mesma forma que as acusações. Não sabemos o que realmente aconteceu com Percy e se, - digo, E SE -  houve alguma injustiça em seu caso, ainda assim caberá a Jeová amorosamente dar-lhe uma segunda chance na ressurreição no novo mundo.

Mas querer propagar o caso de Percy Harding para falar mal das Testemunhas de Jeová, ah, por favor, vai procurar uma trouxa de roupa pra lavar.