domingo, 21 de fevereiro de 2016

TA NA HORA DE VOLTAR, E AGORA?


Uma das perguntas que mais recebo por e-mail ou inbox é como fazer a carta pedindo a readmissão. Muitas pessoas não sabem o que escrever - sim, e isso não é pecado, afinal, se o processo é burocrático dá-se a impressão que a carta também deva ser - ou como funciona todo o procedimento. 

Então vamos lá... 

Quando devo mandar a carta?

Não existe um período específico. Alguns irmãos estabelecem o período de 1 ano erroneamente por causa de uma orientação no livro dos anciãos, que recomenda que uma vez por ano os anciãos devem examinar a lista de desassociados e dissociados da congregação e devem visitá-los para saber se desejam retornar e receber ajuda para isso.   Assim, muitos anciãos achavam que esse deveria ser o período mínimo da disciplina. Entretanto cartas e estudos semanais de A Sentinela tem mostrado que esse pensamento está errado e muitas desassociações ocorreram com até 07 meses de desassociação. Mas são casos raros. Com menos de 6 meses nem sonhe. Um período regular que eu sugiro a encaminhar sua primeira carta é que seja a partir de 9 meses desassociado.

 O tempo de retorno vai levar em consideração 4 fatores, não necessariamente na mesma ordem, a saber:

1. Motivo da desassociação
2. Repercussão na congregação e/ou na comunidade.
3. Assistência regular às reuniões
4. Genuíno arrependimento.


Motivo

Alguns irmãos costumam dizer que não existem pecados grandes e pecados pequenos, que todos são pecados diante de Deus, numa interpretação errada das palavras de Jesus em Lucas 16:1, mas estão errados. Nos dias de Israel, Jeová estabeleceu cerca de 600 leis que incluíam punições em vários níveis para os diversos pecados cometidos. 

É obvio que uma pessoa que foi desassociado, seja por fornicação, roubo, homicídio ou idolatria, só pra citar alguns, terão tratamentos diferentes para seus casos. 


Repercussão 

O desassociado era bastante conhecido na comunidade ou tinha privilégios na congregação? Foi cometido por um ancião, servo ministerial ou pioneira regular ou especial, o qual se deu mais responsabilidades e serviam como representantes da congregação? (Luc. 12:47, 48)

Seu erro repercutiu negativamente vituperando o nome de Jeová perante a vizinhança, comunidade ou cidade? Se sim, ela terá um peso bastante significativo no momento da readmissão, para não se dá a entender que a Organização de Jeová acobertou ou banalizou o erro. 


Assistência regular


A assistência regular é item obrigatório. Não dá pra ir na reunião um mês achando que vai voltar em seguida, não adianta ir um dias sim, e dois não. Não dá pra ficar visitando congregações nesse período. Se tiver aula ou trabalho durante a semana, comunique ao corpo de anciãos. Se for viajar, comunique também. Se você não for regular às reuniões dificilmente será recomendado a voltar.


Arrependimento

E finalmente o ponto principal, o genuíno arrependimento. O livro dos anciãos orienta:

O genuíno arrependimento e o desvio do proceder errado - não a atitude de outros ou simplesmente o tempo decorrido - são os principais fatores determinantes ao decidir quando a pessoa pode ser readmitida. (1 Cor. 5:1, 11-13; 2 Cor. 2:6, 7) 

E o arrependimento está muito além de chorar diante dos anciãos. Ela envolve mudar o procedimento errado,  seu comportamento circunstancial e a forma de pensar. 

Por exemplo, um homem que foi desassociado por fornicação estará demonstrando arrependimento se sempre for visto cercado de mulheres, e pior, se estiver namorando com uma não cristã? Uma pessoa que foi desassociada por bebedeira ou conduta desenfreada estará demonstrando arrependimento se sempre é vista em festanças ou bebendo em barzinhos com amigos do mundo? Seu modo de vida vai determinar se você está realmente arrependida ou quer apenas voltar para poder se relacionar com os amigos e parentes que deixou pra trás. 

Uma amiga me perguntou se ela poderia fazer uma tatuagem? Poder pode, você pode tudo. Mas pergunte-se, o que uma tatuagem poderia fazer para você quando voltar e tiver que ir num passeio seja na praia, no clube ou num rio? Será que te deixará constrangida perante os irmãos? Poderia fazer com que as pessoas tivessem um conceito/atitude errada sobre você? São questões que devem ser analisadas. 



Pronto, hora de mandar a carta!


Se analisou todas as circunstancias e acha que é hora de voltar, escreva sua carta e entregue aos anciãos. O livro dos anciãos é claro quando orienta: 

"Ao passo que não se deve precipitar em readmitir pessoas desassociadas, deve-se dar atenção a um pedido de readimissão."  

Dessa forma, sua carta será lida e considerada pelo corpo de anciãos de qualquer forma. Gosto de usar uma frase muito comum: o NÃO você já tem, ore a Jeová para conseguir o SIM.

A orientação segue:

Os anciãos devem ter certeza de que passou tempo suficiente para que a pessoa desassociada prove que sua afirmação de arrependimento é genuína. (it-1 p. 210) Leve em conta o quadro geral de sua vida. Evidencia este agora que ela está arrependida? (w77 1/9 p. 536) 

Isso não significa que os anciãos vão investigar sua vida minuciosamente. A recomendação é bem clara quando diz que eles devem levar em consideração o "quadro geral" de vida. Nos casos onde não haja evidências aparentes de que o desassociado continua no erro, não é dever do ancião servir como policial investigativo e fazer uma devassa minuciosa na vida da pessoa. Se aparentemente não há nada que desabone a conduta, este deve ser readimitido.


O que escrever na carta?


É uma carta simples, pode ser escrita à mão ou impressa, onde você expõe em poucas palavras o seu arrependimento e o desejo de voltar a ser Testemunha de Jeová. Em alguns casos, pode até descrever as mudanças ou ações que fez para mostrar que realmente deseja isso. 

Não use formalidades e nem um linguajar culto demais. Pode soar falso. 

Não é necessário descrever minuciosamente as coisas de errado que fez enquanto estava desassociado. Isso é irrelevante e desnecessário pelo motivo óbvio: Se fez/faz algo de errado, porque está tentando voltar a ser Testemunha de Jeová?  

Algumas pessoas quando são desassociadas tem a falsa impressão de liberdade ou então entram num processo de revolta, se deixando cair no mundo e fazer todo tipo de coisa errada. O que fazemos aqui fora é obra do deus ao qual nós escolhemos ser entregues. (João 14:30)

Somente depois, quando caímos em si e vemos que nossa vida tá uma merda é que começamos a fazer as mudanças necessárias para voltar. Então esse período negro não é necessário mencionar e nem os anciãos estão interessados, pois no momento em que fomos desassociados, deixamos de ser Testemunhas de Jeová.  

A nossa carta deve conter apenas os nossos sentimentos e as ações que demonstram o nosso desejo de voltar a adorar a Jeová junto à sua congregação.

A carta deve ser entregue a qualquer um dos anciãos de sua congregação, mesmo que esteja numa congregação nova. 


Entreguei minha carta, e agora?

Agora é só esperar. A carta é analisada pelo mesmo corpo de anciãos que participou de sua comissão judicativa. Não é simples pois eles precisam se reunir especificamente para este fim, e às vezes a atividade secular ou outras necessidades da congregação, acabam atrapalhando. (Sim, existe uma congregação para se cuidar e o mundo não gira ao seu redor). 

A resposta pode demorar, mas se passar duas semanas procure o ancião a quem você entregou sua carta e pergunte. Eles são obrigados a dar uma resposta, seja ela positiva ou negativa. 

Se você mudou de congregação, dê mais tempo a eles, porque neste caso a carta é encaminhada ao corpo de anciãos de sua antiga congregação. Às vezes, em caso de ter mudado de cidade,  a carta é enviada pelo Correio e já sabemos como funciona nossa querida instituição, não é?


Puxa, a resposta foi não. 


Não se desanime. Recebemos muitos "não" na vida e nem por isso desistimos. Primeiro procure fazer uma auto avaliação sincera. Será que mudei mesmo? Será que meus amigos de trabalho, da escola, da vizinhança me vêem como uma pessoa cristã mesmo não sendo mais Testemunha de Jeová?

Se a sua resposta for sim, aguarde uns dois meses e mande outra carta novamente. 

Se ainda assim for negativa, neste caso, você pode procurar ou escrever, ao Superintendente de Circuito de sua região, explicando os fatos e o desejo de retornar à Organização, ou em último caso, escrever diretamente à Betel. Os irmãos irão procurar os anciãos da sua comissão judicativa para entender quais os motivos eles não aceitam seu retorno, e se acharem que está havendo um julgamento parcial, irão entregar seu caso para ser analisado por uma nova comissão judicativa indicada pelo Superintendente de Circuito.